MÉTODO DE ESTUDO C4HIM - PARTE II
ESTRATÉGIA PARA APROVAÇÃO EM CONCURSOS PÚBLICOS
Por Paulo Bijos e Daniel Couri
Analistas do TCU aprovados em 2008
TÉCNICAS DE ELABORAÇÃO DE ESQUEMAS
1) O MÉTODO
O método C4HIM é composto de 7 técnicas para elaboração de esquemas:
C - CHAVES H - HISTÓRIAS
C - COLCHETES I - IMAGENS
C - CONJUNTOS M - MNEMÔNICOS
C - CONCRETIZAÇÃO
CHAVES – Trabalhar com idéias ou palavras-chave, de forma a enxugar o conteúdo do material bruto, priorizando apenas os principais pontos de determinado assunto. Isso é especialmente útil nas primeiras leituras do material bruto. Marcando apenas o fundamental, isso ajudará e muito na elaboração de esquemas, além de otimizar as próximas leituras.
Este texto, propositadamente, teve algumas de suas palavras destacadas em verde, para ilustrar como funciona, na prática, a 1ª técnica (Chaves).
Tente revisar este texto lendo apenas as palavras em marcadas em verde. Muito possivelmente você terá uma boa compreensão de todo o seu conteúdo, mesmo com muito menos palavras. Aliás, essa é uma boa maneira de se realizar uma “leitura dinâmica”! Para nós, leitura dinâmica é aquela que se dá a partir da segunda leitura do material bruto, com as palavras-chave já destacadas.
COLCHETES – Esquema gráfico em que se parte do geral para o particular, do gênero para a espécie. Tecnicamente, significa trabalhar com quadros sinóticos.
Exemplo:

CONJUNTOS – Visualização gráfica da teoria dos conjuntos, utilizando as idéias de contém ou não contém, pertence ou não pertence, interseções etc. Muitos aspectos teóricos podem ser agrupados em diferentes conjuntos, o que facilita muito a memorização.
Exemplo: Pelo disposto nos arts. 89, 90 e 91 da Constituição, é possível esquematizar parte de seu conteúdo na forma de conjuntos, como abaixo indicado. A competência para manifestar-se sobre IF (Intervenção Federal), ED (Estado de Defesa) e ES (Estado de Sítio) é comum aos dois órgãos (CR e CDN), o que justifica a interseção dos conjuntos. As demais siglas (já antecipando a técnica dos mnemônicos) indicam competências próprias de cada órgão: QREID (Questões Relevantes para a Estabilidade das Instituições Democráticas); e G (Guerra e Paz), U (Utilização de áreas…) e I (iniciativas) necessárias a DEDIN (Defesa do Estado Democrático e da Independência Nacional).

CONCRETIZAÇÃO – Significa concretizar as idéias estudadas, visualizando-as numa situação real ou fictícia. Pela técnica da concretização, além de ler, o estudante também visualiza o que acontece por trás das letras.
Ao ler um jornal, por exemplo, o estudante atento deve encontrar várias matérias de concurso público. Já de início, o concurseiro pode se lembrar de que, de acordo com o art. 150 da Constituição Federal, é vedado ao Poder Público instituir impostos sobre “livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão”.
Ao praticar a técnica da concretização o estudante passa a ter um outro olhar sobre a realidade. Ao dirigir o carro ou entrar num ônibus, como outro exemplo, o estudante se lembrará de que compete à União legislar sobre “trânsito e transporte” (art. 22 da CF).
HISTÓRIAS – Memorização dinâmica de uma sucessão de eventos que se relacionam por meio de uma história qualquer. Algumas matérias envolvem uma sucessão de eventos teóricos. Tentar relacioná-los a uma história pode ser uma ótima saída neste caso.
IMAGENS – Criação de uma imagem que seja útil para resgatar determinada idéia. Esta técnica será utilizada como exemplo de esquema para “súmula vinculante”, exposto logo adiante. Neste caso mostraremos um exemplo de como se construir um esquema “passo-a-passo”.
MNEMÔNICOS[1] – Na sua feição mais popular, consiste na utilização de palavras cujas letras ou sílabas se relacionam a outras palavras que se pretende memorizar. Exemplo clássico: LIMPE (CF, art. 37): L (Legalidade), I (Impessoalidade), M (Moralidade), P (Publicidade) e E (Eficiência).
Quem não se lembra do professor de química, sugerindo os mnemônicos “Hoje li na carta: Rubens casa na França” e “Bela Magrela Casou com o Sr. Barão” para a memorização das duas primeiras colunas da tabela periódica?
[1] A etimologia da palavra “mnemônico” deriva de “Mnemosine” - deusa da memória na mitologia grega. A rigor, todas as técnicas de memorização estariam abrangidas pela mnemônica, em seu sentido lato, como ciência e arte da memorização. Neste material, contudo, a palavra “mnemônico” deve ser tomada em seu sentido mais restrito e concurseiro, conforme definido no item 4.

Adicionalmente, observe-se que o método é matricial: as 7 técnicas podem ser utilizadas num mesmo esquema!
EXEMPLO DE ESQUEMA PARA SÚMULA VINCULANTE (Direito Constitucional)
Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) (Vide Lei nº 11.417, de 2006).
§ 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica.
§ 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade.
§ 3º (para fins de simplificação, este parágrafo foi omitido)
Explicaremos abaixo como o esquema foi elaborado utilizando 3 técnicas do método C4HIM - Chaves, Mnemônicos e Imagens
1º) Selecionamos as palavras-chave, conforme acima destacado em verde
2º) Criamos os seguintes mnemônicos:
- ARC/VEI (que soa como “arquivei”): consolida as palavras-chave “Aprovação”, “Revisão”, “Cancelamento”, “Validade”, “Eficácia” e “Interpretação”, que constam dos §§ 1º e 2º
- GIJ: “Grave Insegurança Jurídica”
- ReMuProQI (soa como “Remo para o QI”): refere-se a “Relevante Multiplicação de Processos sobre Questão Idêntica”
- GIJ e ReMu Pro QI (juntando os dois últimos, soa como “O giz[1] é remo pro QI”): unifica os dois anteriores, enfatizando que são consequências cumulativas, e não alternativas, da “controvérsia atual” (obs: trocar o “e” pelo “ou” pode mudar o gabarito de uma questão)
- J-J e J-A: resume que a controvérsia atual é entre órgãos judiciários (J-J) ou entre esses e a administração pública (J-A)
- PIO (“O STF piou”): explicita que o efeito vinculante é apenas a partir da “Publicação na Imprensa Oficial”
3º) Utilizamos a imagem de uma letra A, cortada por uma linha do tempo, sendo que esta se justifica pelo seguinte motivo: para que se aprove a SV, é necessário que, anteriormente, tenha havido “reiteradas decisões sobre matéria constitucional”. Além disso, no presente, é necessário que exista a já abordada “controvérsia atual”
4º) Montamos o esquema final, em UPM.
[1] Aproximações como essa (“GIJ” por “GIZ”) são comuns e fazem parte da licença poética inerente ao método.
À primeira vista, é possível que se tenha a impressão de que o método é complexo ou que o esforço envolvido é muito grande. No início essa preocupação é natural, mas o fato é que, uma vez elaborado o esquema, o rendimento do estudo e da memorização são expressivamente alavancados.
Geralmente, após reconstruir esse esquema 2 ou 3 vezes, em uma folha em branco, o candidato já se convence de que estudar pelo esquema é muito mais produtivo do que voltar a simplesmente ler o livro. O conteúdo é fixado com mais facilidade e é memorizado de modo muito mais duradouro.

março 4th, 2009 em 14:58
Galera, gosatria de saber qual ~e o melhor cursinho o Academia da Aprovaçao ou o Cathedra (prep p TCU)!
setembro 11th, 2009 em 22:31
Parabéns!! Excelente! Acho que me identificou com o processo mnemônico, masi que com o de desenho.